
Imagem: Edvard Munch)
Acabo de conhecer o poeta alemão August Stramm(1874-1915), através do incansável e apaixonado Augusto de Campos, que também acaba de traduzir Byron. Augusto tem fascínio por poetas extremos, que arrastam correntes, uivam; poetas que cospem nas convenções. Amo Augusto de Campos. Amo poetas que arrastam correntes, uivam, estilhaçam tempo/espaço, num estranho bailado com as palavras, cospem vidro na cara dos vendidos.
Augusto comenta nesse livro - coletânea sob o título genial POEMAS ESTALACTITES -
que a radicalidade/aspereza da poesia de Stramm, de certa forma, o relegou. Mas posteriormente
- é necessário que se morra... - o poeta alemão, segundo críticos respeitáveis, foi comparado a Kandinsky e a Schoenberg: tal como eles, quanto à pintura e à música, Stramm foi precursor da abstração na poesia.
Haroldo de Campos já havia percebido a modernidade de August Stramm, transcriando alguns poemas seus.
Fiquei desconCertada com a sonda, a britadeira dos versos desse cara; senti o meu rosto sem pele. Vento gelado, neve pontiaguda. Aí vão alguns poemas dele, que foi morto no campo de batalha russo. Poemas sangrando de amor e de guerra...
PASSAR
A casa faísca nas estrelas
Meu passo para e esfria.
Em teu seio meu cérebro dorme.
Dúvidas me devoram!
Pleno
Sombra teu busto na janela
A espreita me cala
Estrelas roçam ferro em brasa
Meu coração
Carboniza!
Em tua janela
Gela
Cinza de brisa
Os pés arrastam um peso vazio!
DESESPERADO
No alto ressoa um seixo agudo
A noite verte vidro
O tempo estaca
Eu
Cascalho.
Tu
Te
Vidras!
ALVORADA
A noite
Geme
às seivas sonolentas
Beijos
O ferro ringe opaco.
O ódio se estira
E
Arrasta o sonho entre os sulcos.
Rir pesa.
O bosque lanceia as sombras.
No olho choram
Estrelas
E se afogam.
SENTINELA
A cruz da torre assusta uma estrela
O cavalo arfa fumaça
O ferro ringe sonolento
Névoas afogam
Chuvas
Congelam calafrios
Afagam
Sussurram
Você!





